Reflexões da sua lágrima


Estou por trás de todas as escolhas. Ao contrário do seu sorriso, não preciso provar nada a ninguém. Prefiro cair quando estamos a sós, mas às vezes você faz questão de ser notado. Besteira... Ninguém pode me entender, a não ser você mesmo.

Só você pode medir o quanto sou sincera. Às vezes, sou motivada por um drama, uma imaturidade, uma birra, um desespero, entre outras circunstâncias permeadas pela falsidade. Depois que o tempo passa, até aceito essas classificações. Mas o meu presente nunca é equivocado. Só venho à tona quando tenho certeza de que minha atuação é necessária. Só a lágrima tem a verdadeira onisciência.

Quando apareço na alegria, é porque a dor teve uma pausa. Então, não acredite se uma pessoa disser que está chorando de felicidade. Ela chora por se lembrar de uma dor que foi superada por aquele momento específico. E como felicidade nunca é plena, ela também chora por medo de doer de novo. E sempre volta a doer, porque as pessoas sempre partem, os amores sempre acabam, os sentidos sempre mudam, as quedas continuam a ferir. Viver não tem fim. Provo isso quando venho motivada pela morte: Seja qual for o tempo, posso fazer qualquer um reviver.

Tenho sido bastante solicitada pelo coração. Mas a ordem de serviço vem do cérebro, meu verdadeiro chefe. Não posso cair se ele não mandar. Não sei quem disse que o coração e o cérebro eram de departamentos diferentes. O coração é tão operário quanto eu, só que ele age como um funcionário insubordinado. E graças a essa falha corporativa, tenho trabalhado bastante. Ando exausta.

Se fosse seguir todas as vontades do coração, eu cairia toda hora. Podia passar o dia inteiro caindo. E quanto mais trabalho, mais preciso trabalhar. Sabendo disso, a chefia faz a moderação pra me poupar. Imaginem como o mundo ficaria estranho no dia em que eu não tivesse mais forças pra cair?

A lágrima move o mundo. Ninguém pode comigo. Você pode tentar me segurar, mas eu vou aparecer quando você menos esperar. Mesmo se você não chamar, eu tenho minhas obrigações. Sou enviado para te fazer mais humano. Sou a única constante na tua vida, às claras ou às escondidas.

Na tua solidão, eu estarei lá, recordando momentos bons que não voltam mais ou vivendo a dor pela falta dos que ainda não vieram. Em geral, vão dizer que você não tem motivos para me receber. Mas só nós dois sabemos. Às vezes, sei dos seus motivos melhor que você, por isso me manifesto para te lembrar o que você é e o que você sente de fato.

Logo, não entendo quando você se revolta com a minha queda, tentando lutar contra você mesmo. Todos tentam te convencer que eu sou inútil, que eu não deveria dominar você. Mas eu não domino ninguém, eu ajudo a exercitar o auto-domínio. Isso significa que eu te ajudo a ser mais você, porque o mundo te inspira a ser o contrário o tempo todo.

Preciso confessar: fico enfurecida quando leio a ordem de serviço e no motivo está escrito "saudade de quem está vivo". Caramba! Quantos momentos bons eu poderia curtir com a minha família, amigos e amores se você não se esforçasse tanto pra ficar longe dos seus. Isso que eu chamo de labuta desnecessária. E é bem nessas horas que eu ativo uma das minhas melhores habilidades: caio para tornar presente quem está ausente. Alivio-te por alguns instantes. Medida meramente paliativa, só tem um jeito de resolver esse problema e você sabe como.

E por saber como se faz pra resolver, você me chama novamente. Pois nem sempre aplicar o saber é tão simples, sobretudo quando a saudade é motivada pela rejeição alheia. A rejeição é uma fonte de dor infinita, porque quem rejeita uma ou duas vezes tende a rejeitar sempre. E superar uma dor significa senti-la novamente. Ignorar os fatos não vai apagá-los da sua memória: pode ser que eles voltem quando aquela tal felicidade lá se for.

Mas não se preocupe: sempre que precisar de mim, estarei aqui. É curioso como um líquido tão leve, próprio da fragilidade, seja capaz de te dar tanta força. Mas somente eu, sua maior fonte de auto-conhecimento, posso conduzir seus passos aos caminhos cada vez menos errados. Me leve com você e eu te guio, com todo o prazer e com toda a dor que justificam a tua ânsia de se encontrar no final, para um novo começo.

Eu e as palavras...

Estou com sono, mas preciso escrever a vida, e tem que ser agora.

Músicas, letras, intenções.
Livros, páginas, cadernos, folhas soltas.
Versos, poemas. Redes sociais, horóscopo. Astrologia.
Runas, tarô do amor, do trabalho, do sim ou não.
Igrejas, padres, pastores, guias espirituais. Homilias, orações.
Bíblia. Imitação de Maria. Imitação de Cristo.
Auto-ajuda. Cura interior. Cartões, lembranças, presentes, SMS.
E-mails, conversas. Diálogos, monólogos, debates, consultas.
MSN, Skype, Gtalk, comunicadores em geral.
Revistas, jornais, blogs, notícias, opiniões.
Vídeos, animações, literatura.
Séries, cinema, arte, expressão.

Eu não consigo parar. Eis o meu verdadeiro vício.
Em toda parte, procuro palavras em busca de certezas, mas só encontro respostas, interpretações e nenhum sossego.
Eu procuro em toda parte porque não consigo encontrar dentro de mim.
"Que lugar me contém, que possa me parar?"
Cheia de dúvidas, sigo.

Ao passo que sigo, espero.
Espero a meia noite, espero virar a página.
Espero trocar a home, atualizar o navegador.
Espero chegar a mensagem, espero a hora certa de mandar. Intimar, convidar, reagir, replicar.
Espero a resposta que não vem.
Espero a paz em forma de palavras que a ninguém importam mais que a mim mesma.
Palavras escritas ou ausentes, boas ou ruins.
Ah... A estabilidade das palavras, que trazem a instabilidade das ideias.
Ideias que não correspondem aos fatos... e o tempo não pára.
Não quero mais só a expressão do começo, nem a síntese do fim.
Quero um texto que dure a vida inteira, e não apenas passe por mim.

Quando falo e quando calo, escuto.
Se eu sufocar com pedidos e explicações, tradução de sensações
Suplicar ouvidos às minhas perguntas, questionamentos, intenções
Não pense jamais que quero prender
Quando peço palavras, só tento me libertar.

É bom...

Um velho calção de banho, um dia para vadiar
experimentando tudo o que é possível para viver um grande amor
e assim amar, ai de mim, muito mais do que podia amar
mesmo que haja dor do amor que teve fim, que foi ruim, sei que sim outro amor há de apagar
amar,
sentir-se fraco, peito extravasado, e com tudo isso que é capaz de confundir o espirito de um homem, perceber que amar é sofrer.
e o que é que tem sentido nesta vida?
a tristeza que não tem fim, mas que tem a esperança de um dia não ser mais triste não?
por isso eu só acredito em liberdade e estar sempre com saudade de viver um grande amor
E jà que a vida é pra valer - e não se engane não, tem uma só!
então, hei de morrer de amar mais do que pude.


Pela sinergia que existe entre librianos, filhos de Xangô ou poetas e súditos, me enchi da poesia de Vinicius de Moraes justo na semana que completa 30 anos da sua morte. Claro, não me lembrei disso enquanto ouvia repetidas vezes o repertório nos últimos dias. Foi intuitivo.

A poesia do Vinicius faz com que eu não me sinta de todo só no mundo.

Assim como ele eu acredito que o amor é a essencia. Do ser, do universo. O amor é a dor e o conforto. A solidão e a saudade. O amor é a coisa boa que une e equilibra.

Amar é ser completo.
E Vinicius amou.

Mulheres, amigos, musica, Xangô, poesia, Rio, Bahia, "coisinhas verdinhas de que eu gosto tanto", como disse uma vez em entrevista.
E eu busco essa completude.
Eu quero amar.
Sempre.
E muito.
Mesmo com a onipresença da tristeza - tão certa e segura da sua existência.

Essa semana os versos do Vininha povoaram meus pensamentos, tocaram meu coração, me fizeram bem. Porém, de tudo o que ouvi, o mais singelo e talvez menos significativo poema foi o que mais me provocou. Afinal, é o cenário perfeito para fazer crescer o amor tão sufocado pelas relações formais do cotidiano. É a comunhão entre homem e natureza.
Não é só bom. Deve ser sensacional...

...passar uma tarde em Itapuã, ao sol que arde em Itapuã, ouvindo o mar de Itapuã, falar de amor em Itapuã.


ahhhh poetinha...

Fluxo de Consciência


 

"You're so ahead of yourself that you forgot what you need. Though you can see when you're wrong, You know, you can't always see when you're right"

"Você está tão adiante de si mesmo que esqueceu o que precisa. Apesar de poder ver quando está errado, você sabe, nem sempre se pode ver quando se está certo"

Vienna, Billy Joel. Não à toa, é música tema do filme "De repente 30". Aquele momento em que boa parte dos seres humanos param e pensam "Meu Deus, o que tô fazendo da minha vida"?

Mas há quem pare e pense nisso antes. Porque a gestão da vida funciona como em um plano de negócios: é uma sequência de chutes baseada na experiência de outros times. Tem primeiro tempo. Tem segundo tempo. Tem tiro de meta. Tem impedimento. Um montão de juiz. Uma torcida contra. Uma torcida a favor. Patrocinadores. Uniforme. Correria. Cansaço. Um ou outro gol. Um cartão vermelho atrás do outro.

Não sei se isso é bom, mas a cada dia que passa meu plano de negócios fica mais falido por causa desses cartões vermelhos. Eu tenho as metas. Tenho os parâmetros. Tenho a lógica padrão. Tenho o comportamento adequado e sigo modelos socialmente aceitáveis. Mas toda hora a vida me traz possibilidades que fazem toda essa baboseira perder o sentido. Eu quero cometer faltas!!! Faltas graves!!! Faltas improváveis!!!

Eu não sei quando vou me arrepender por não ter cometido essas faltas capazes de preencher boa parte dos meus vazios. Largar o trabalho dos relacionamentos estratégicos para ser amiga da música despretensiosa... Trocar uma alimentação saudável por café, coxinha, coca e chocolate... trocar o café pelo vício da paixão... trocar a paixão pelo amor companheiro... (já perceberam que amigo e amor tem o mesmo radical? E que isso muitas vezes parece uma coisa beeem radical?)

"I don't believe in many things, But in you I do"

"Eu não acredito em muitas coisas, mas em você eu acredito"

"To dreams that never will come true… Am I strong enough to see it through?"

"Aos sonhos que nunca virão a ser verdade, eu sou forte o bastante para ver isso acabar?"

Ao menos na minha música, tudo pode se tornar real.

É tempo de desligar o rádio.

Não que eu ignore o valor da música.

Mas desligar o rádio é preciso. É preciso ouvir o som do entardecer perto de sua casa. Deixar que o seu pensamento componha sua própria música, em uma orquestra da maior variedade que já se fez.

É preciso ouvir a música que vem de você. Aquela que você está compondo a todo momento, e que acaba se perdendo nos ruídos do rádio. A música do seu mundo, que vem da janela do seu carro, da sua casa. Feita de uma mistura improvável de barulho do motor, buzinas e gotas de chuveiro. É preciso ouvir o som do entardecer que existe no seu caminho de volta. Você conhece?

É preciso também desligar a TV. Desligá-la e abrir todas as janelas num fim de tarde com ar parado, como hoje. Escutar os latidos na vizinhança e imaginar que tipo de assunto pode dar tanto pano pra manga na cabecinha daqueles animais...

Hoje eu vi no jornal que os surdos se saem melhor em laboratórios, em atividades que exigem concentração. E fiquei pensando, por um momento, em como a surdez pode ser libertadora. Em como a anulação deste sentido pode criar novos paradigmas de percepção. Você já pensou nisso? Você quer desenvolver isso?

Quando seus dedos coçarem para desligar o rádio, não hesite. Você não vai encontrar um som tão real como aquele que só você ouve, só você entende e só pra você fará sentido. Não há letra de música, melodia ou arranjo que resuma a sua existência.
Desligue o rádio, hoje.

O cheiro da tinta...

Ainda ontem, passei pelo corredor do prédio em tinta fresca e estremeci com um momento déja vu. Eu tinha seis anos quando percebi esse cheiro pela primeira vez. Também era a primeira vez que eu entendia o significado de uma casa própria. "Ué, pai, aqui não vem ninguém pra cobrar o aluguel?" – "Não filhinha, não vem. É a nossa casa". Recordo-me desse aroma inspirador como se fosse ontem. Ele me chamava para o novo. Insinuava o universo de possibilidades apresentadas por aquela casa enorme, com aquele quintal gigante e aquela rua cheia de crianças.

A biblioteca, agora, tinha uma sala só pra ela. Os livros brilhavam na prateleira. Eu não via a hora de poder colocar em prática tudo o que havia aprendido naquela lousinha singela, que minha irmã usava na outra casa para me ensinar a ler e a escrever. Até então, apenas esperava ansiosa pelas aulas de recorte e colagem da pré-escola. A professora nos estimulava a escrever apenas o próprio nome, o restante da estratégia era composto por brincadeiras que, mais tarde, fiquei conhecendo como atividades lúdicas. Pedagogia da fantasia, enquanto era muito difícil e nada atrativo entender o mundo que nos esperava. Melhor brincar.

Desse novo mundo, fui chegando perto lá pela sexta série. "Você nunca ficou com ninguém? Boca-virgem? Não sabe o que está perdendo". Na verdade, eu estava mais preocupada em aprender a fatorar e a terminar de ler os livros que eu havia emprestado na biblioteca. O prazo para devolução estava acabando. E o tempo passava. E quanto mais o tempo passava, mais eu me sentia estranha por não me interessar pelos meninos desinteressantes da escola. De todos, apontei o menos pior e disse: gosto desse. Só pra me sentir menos deslocada dentro de mim mesma.

Eis que veio o primeiro amor. Sensação diferente. Durou uns quatro dias. Foi o coração que escolheu. Mais tarde, a razão mostrou que o menino era tão desinteressante quanto os outros. E daí nasceu a expressão "coração burro da porra". Que se repetiu infinitas vezes, por períodos variados. Amores platônicos, amores quase possíveis e os plenamente possíveis, que costumam durar mais e fazer um estrago maior. Mas o começo é sempre o começo. Uma delícia.

Aí você conclui: não parece uma tremenda idiotice comparar o tempo que eu gastei lendo com o tempo que as minhas amigas gastaram beijando na boca, como a leitura indicasse superioridade? Pois bem. Metade delas virou mãe solteira ou se (enterrou) casou antes dos 20,ou poucos anos depois. A outra metade está mais ou menos como eu. Mas são meninas que beijaram mais do que eu. Isso quer dizer que viveram mais a juventude do que eu. E também pode significar que carregam mais feridas do que eu. Por outro lado, poucas, ou nenhuma, podem ter provado a sensação do primeiro beijo mágico, com intensidade mútua, que virou paixão, se tornou amor e que... bem, acabou na merda. Tudo bem, sem lamentações. O cheiro do primeiro beijo se repetiu pouco tempo depois, em uma nova paixão que também acabou... E vai continuar se repetindo, quantas vezes forem necessárias.

Portanto, não vamos comparar. Todas nós estávamos buscando a felicidade. Nos livros, nas bocas, nos recortes e colagens, nos quebra-cabeças da existência. O que não vivi ontem me permitiu viver o que vivi hoje. A negação traz a possibilidade. A inexperiência leva à experiência. Viver implica se arriscar. Para o sim ou para o não, haverá conseqüência. Haverá mais vida.

Para quem beijou muito ou pouco, chega o tempo da responsabilidade. Trabalhar, estudar de verdade, se engajar em um projeto social, construir seu círculo de amigos, cuidar da família. Aturar chefe estressado, aturar professor mal amado, aturar a si mesmo - a parte mais difícil. Porque ser responsável implica estar o tempo todo com pessoas que te fazem encontrar o melhor e pior de você mesmo. Daí, ser desobediente pode te conduzir a uma grande tragédia. Ser obediente, também. A palavra responsabilidade vem de "resposta". Sim e não. Tudo depende de você.

Pressão demais. O sim é mais fácil... você vai lá e compra o que a infância sonhou. Se afoga em dívidas. Estoura todos os seus cartões de crédito. Tenta superar as privações de uma juventude inteira com alguns salários que mais parecem prêmios da loteria. Afinal, você nunca teve tanto dinheiro nas mãos. Parece que, depois de se ferrar tanto, o sucesso chegou. E ele vai parar no SPC em poucos meses. Com o sucesso se divertindo lá, você se sente um fracasso. Percebe que tudo precisa ser diferente.

E faz diferente. E vê as oportunidades surgindo novamente. Vê, inclusive, que o fracasso não foi fracasso. Que realizar os sonhos, ainda que pequenos, continua valendo a pena. Mas entende que não vale a pena trocar a felicidade em doses homeopáticas pelo prazer orgásmico de uma única vez. Até porque, depois que passa, a gente sempre pensa: "Foi só isso?" Sim... é tudo tão rápido... sempre... Boa mesmo é a alegria que vem devagar.

Já não há mais casa própria. Mas o aluguel é pago pelo internet banking. Já não há mais amor. O emprego é diferente. A cabeça é diferente. A experiência e a inexperiência caminham lado a lado. Há mais amigos de qualidade... Há mais entendimento do que seja o amor. A idealização e a decepção continuam amigas para combater o inimigo comum da realidade. Ou seja, as três continuam existindo e convivendo com a nossa alma. No fim da batalha, só existe uma opção: recomeçar. Então pare e sinta... nunca se esqueça do cheiro da tinta. A guerra continua.

Normal

Normal.
"Amanhã a tarde capaz que chova"
- Normal.
"Já começaram as campanhas eleitorais de 2010..."
- Normal.
"...e as propostas são as mesmas de 2006"
- Normal.
"E você? Como está?"
- Normal.
Dito assim, seco, sem exclamações, reticencias ou reverberação de vogais, normal é como uma tendencia da estação. É o nude. Mais do que isso: normal é um estado de espirito.
Ou uma convenção social. Ou um modo de vida.
(normal way of life...)
Normal padroniza comportamentos.
Usa drogas? Anti-depressivos? É ciumento, possessivo ou egoísta? É tudo isso??
- Normal.
Absolve ausências.
"Não te liguei, mas não esqueci de você..."
- Normal.
Atenua as fraquezas humanas.
"Eu não queria, mas o odeio com todas as minhas forças!"
- Normal.
E no momento que você percebe que quase nada se encaixa, se justifica ou faz sentido; que toda palavra dita lhe soa falsa ou vazia e começa a sentir parte da angústia vivida pela G.H do romance de Lispector, não tenha dúvida que...
Pára!
Isso não é normal.
Se ninguém percebeu é porque esse é um problema exclusivo. Só seu.
E não vá buscar resposta nos especialistas.
(Aliás, morte aos intelectuais...discursos, apenas discursos...)
Porque vai haver um momento que, por algum motivo, você vai se dar conta de que existe. Humano e miserável. E quando esse momento chegar...
Assobie, cante uma música, vá ler um jornal.
Relaxa. Está tudo bem.
Tudo nude.
Normal.

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